O ministro estampado
Uma leitura da infância fazia menção à tesoura. Seu uso é perfeito para recortar as páginas desagradáveis nos livros. Os textos digitais facilitam a operação. Fica muito fácil recortar os trechos desagradáveis dos textos. Isso, com a vantagem de evitar papel picado.
Parece que o novo ministério de Dilma tem por objetivo contentar o mercado em todos os segmentos. No caso da educação, uma suspeita matéria (http://www.palavraoperaria.org/O-PT-e-uma-alternativa-na-educacao-ao-PSDB) dá a biografia do do atual ministro:
"Cid Gomes (ex-PSDB, PMDB, PSB, e atualmente no PROS) é o famigerado governador que disse que os professores deveriam trabalhar por amor. Além disso, foi um dos governadores que em 2008 apoiou a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei do Piso Salarial dos professores, que garante uma remuneração mínima nacional para os professores e 1/3 da jornada para atividades extra-sala. Cid Gomes e sua experiência como prefeito na cidade de Sobral-CE tem sido invocado como modelo para os reformadores empresariais da educação. Ele também já declarou ser favorável que o salário dos professores seja vinculado a provas de mérito; propôs o aumento das avaliações externas sobre os alunos; e uma reforma que esvaziará o Ensino Médio. Cid Gomes é a pessoa escolhida para levar a cabo o PNE privatista que o governo Dilma aprovou ao final de seu primeiro mandato."
"Cid Gomes (ex-PSDB, PMDB, PSB, e atualmente no PROS) é o famigerado governador que disse que os professores deveriam trabalhar por amor. Além disso, foi um dos governadores que em 2008 apoiou a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei do Piso Salarial dos professores, que garante uma remuneração mínima nacional para os professores e 1/3 da jornada para atividades extra-sala. Cid Gomes e sua experiência como prefeito na cidade de Sobral-CE tem sido invocado como modelo para os reformadores empresariais da educação. Ele também já declarou ser favorável que o salário dos professores seja vinculado a provas de mérito; propôs o aumento das avaliações externas sobre os alunos; e uma reforma que esvaziará o Ensino Médio. Cid Gomes é a pessoa escolhida para levar a cabo o PNE privatista que o governo Dilma aprovou ao final de seu primeiro mandato."
Em entrevista, (http://www.cartacapital.com.br/revista/837/cid-gomes-novo-ministro-educacao-670.html) o ministro é muito revelador:
"CC: Quando governador, o senhor enfrentou uma greve de 64 dias dos professores por salários em 2011.CG: Enfrentei, mas o nosso calendário não foi prejudicado. Em Sobral, estabeleci a nucleação de escolas. Tenho a experiência de que escola boa é aquela com diversidade e quantidade de alunos. E é onde, pelo lado da administração, você pode concentrar esforços em pessoal e em recursos materiais. Penso que a nucleação de escola é boa, vou defender. Não posso obrigar ninguém a fazer, mas as políticas públicas definidas pelo ministério levarão em conta essa iniciativa. Vou citar um caso concreto: quando assumi, Sobral tinham 135 escolas. Discutimos e concentramos em 32.
CC: As demais foram fechadas?
CG: É um tabu fechar escola. Não encerrei as atividades em nenhum prédio, pois sabia que eram a única referência de poder público no lugar. Procurei melhorar os prédios e transformá-los em espaços dedicados à educação infantil ou em centro comunitário. Para tratar de educação é melhor ter menos escolas, com melhor estrutura, corpo diretivo e participação da comunidade. Isso dá a possibilidade de haver, de fato, uma relação racional professor-aluno. Eu posso ter uma situação em que a turma do 6.º ano só tem sete alunos. Se tenho escola nucleada, vou ter uma margem muito maior para fazer turmas com um número razoável.
CC: Qual a sua política de valorização do professor?
CG: Quando falo em redução das escolas, também penso nesse ponto. Valorizar o professor não é abrir um sem-número de vagas de trabalho e pagar merreca para eles, subexplorar. Valorizar é dar a ele oportunidade de ganhar bem e o município só pode pagar melhor se a relação professor-aluno for razoável."
Temos aí o ministro da Educação estampado. E não faz questão de esconder nossos principais mitos nacionais sobre a questão. "Professor deve trabalhar por amor". Da mesma forma que os jesuítas catequizavam indígenas no século XVI.
Salas vazias são despesas. Essas precisam alcançar uma proporção razoável, permanecerem cheias.
A presidenta utilizou o slogan "Brasil pátria educadora" e depois anunciou um corte de 7 bilhões para a educação. Somado a esse quadro, a nomeação de um "administrador" de outra área para esta pasta não parece muito auspicioso. Certamente vão haver mudanças na educação, mas duvido que sejam boas.