quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sacanagem no cinema nacional

Revista Partes 09/09/2010
 

O cinema nacional protagonizou uma retomada depois da primeira metade da década de 1990 a fase, do governo Collor em que foram extintos órgãos como a Embrafilme, o Concine e a Fundação do Cinema Brasileiro, sem incentivos. Na segunda metade desta mesma década e nesta primeira, e quase findada, do século XXI temos em nosso cinema toda uma gama de representações e reconstruções dos principais dilemas de nossa sociedade e também um cinema atrelado aos programas e artistas que fazem sucesso na televisão aberta que busca também o seu quinhão deste sucesso. O filme que estreou em agosto de 2009, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, toma este último caminho.
Originalmente a série Os normais foi exibida entre 2001 e 2003, com 71 episódios que alcançaram grande audiência. O primeiro longa, Os normais - O filme, estreou em 2003 encampando um formato meio que comédia romântica e o segundo, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, chegou ás telas, em agosto de 2009, com direção de José Alvarenga Junior e roteirização de Alexandre Machado e Fernanda Young, a mesma equipe da série de TV. Produzido em parceria com a Globo Filmes, criada em 2002 pela Rede Globo com objetivo de atuar na produção e distribuição de filmes nacionais, este também conta com a presença massiva de atores da emissora da série original.


No filme o casal Rui e Vani (Luís Fernando Guimarães e Fenanda Torres) se deparam com o fato de que sua vida sexual está cada vez mais escassa e para tentar resolver este problema resolvem aderir a uma relação sexual envolvendo mais uma pessoa. Os dois iniciam então uma espécie de romaria noturna, á procura de uma mulher bissexual, que rende boas risadas. Entram em cena, então, atrizes badaladas de televisão interpretando possíveis parcerias: uma prima do casal, (Drica Moraes) uma lutadora de kickboxer, (Danielle Suzuki) uma prostituta, (Alinne Morais) que dopa o casal e juntamente com um cúmplice rouba todos os seus móveis, e por fim quando encontram uma mulher bissexual (Claudia Raia) não conseguem levar a fim seu objetivo, terminando entalados os três numa banheira. A única pessoa em condições de ajudar o trio, interpretada pelo ator Daniel Dantas, exita em o fazer porque Rui não se lembra do seu nome. A história termina com o casamento de Rui e Vani que eram noivos.
Uma das características do cinema nacional, as pornochanchadas, da década de 1970, que fez uma parcela do público brasileiro estigmatizar este como que de vocabulário indecente e vulgar era a excessiva utilização de palavrões. Em Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, isso também vale para o primeiro filme da série, vemos uma enxurrada de fodas, porras, caralhos, pirocas e xerecas que aproxima os diálogos de uma linguagem de alcova não tão corriqueira em boa parte dos filmes nacionais dos últimos anos. Se alguns destes buscaram fazer as pazes com a parcela do público que não é afeito aos ditos palavrões, na tela do cinema, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, figura mais como uma bofetada na cara deste mesmo público, isto a considerar pela variedade quantidade e naturalidade em que são pronunciadas as palavras de “sacanagem” pouco quistas pelos ouvidos mais sensíveis.



Mesmo tratando do ménage à trois, o filme em absoluto não é erótico, as supostas cenas de sexo são mais engraçadas que sensuais. Essa temática também não chega a ser polêmica, pois vivemos em um momento de liberação sexual em que muitos casais aderem a este tipo de prática, existem casas noturnas dedicadas a este público e a grande mídia está com seus holofotes centrados no bissexualismo feminino. No filme é a personagem Vani, com o objetivo de salvar a relação, que propõe a Rui realizarem está prática e os dois então vão à casa da prima Silvinha, Drica Moraes, que aceita a proposta, mas faz uma advertência, aos dois, que vai ao encontro da opinião de muitos especialistas: depois de um Ménage à trois muita coisa pode mudar na vida de um casal.

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