Diário dos Campos 12/10/2010
Previsão de vacas magras
Depois que as urnas confirmaram a derrota de Osmar Dias no Paraná, Beto Richa já anunciou um corte na gastança do Estado que “se tornou perdulário”. Curiosamente depois que assumiu o poder no Estado, em 2003, Roberto Requião teve quase de decretar uma moratória devido à gestão do peessedebista Jaime Lerner. Ao que parece Richa vai herdar a governança do Estado em melhor situação. Mas infelizmente, pelo que se pode avaliar até agora, melhorar um setor estratégico para o desenvolvimento do Estado, como a Educação, não vai acontecer.
Se a Educação no Paraná seguir os caminhos que José Serra deu a São Paulo certamente a previsão acima se concretizará. A considerar o fato que depois de eleito Richa já se apressou em lustrar as botas do tucano que almeja o Palácio do Planalto ficamos ainda mais desanimados. As políticas educacionais de Serra em São Paulo são constantemente defendidas em veículos de comunicação do grupo Abril. Não é de se estranhar, pois o governo de São Paulo compra alto percentual da tiragem de revistas como Veja e Nova Escola. Richa já demonstrou que não pretende seguir trilha contrária elogiando em campanha figuras como o “onguista” Gilberto Dimenstein.
O suposto leitor pode de certo estar pensando sobre o tamanho pessimismo dessas linhas. Ora, mesmo que as políticas educacionais possam vir a ser semelhantes às que José Serra, com seu Secretário Paulo Renato de Souza, implementou o que pode piorar? A resposta é simples: tudo. A gangue peessedebista que governa São Paulo quer tornar a educação melhor investindo o mínimo possível. Construir escolas? Nem pensar, se gasta muito. O melhor é premiar professores que supostamente consigam melhores resultados em suas salas de aulas abarrotadas. Salário decente? Sem chance. A bonificação também resolve esse problema.
Segundo os arautos tucanos um fator que pode alavancar o desenvolvimento educacional é tornar o magistério uma carreira atraente para os melhores alunos da Educação Básica. Como tornar a profissão tão atraente? Condições dignas de trabalho? Salário decente? Nada disso. Na ótica dos demagogos, o salário não é o principal atrativo na hora de um jovem escolher sua profissão. E sim a valorização e reconhecimento do mérito profissional. Fica uma pergunta. Como gente minimamente letrada pode defender ideias tão estapafúrdias? No caso das revistas do grupo Abril e de Gilberto Dimenstein, a resposta se associa às verbas polpudas destinadas à aquisição e materiais e serviços educacionais. Mas que relação tem isso com o Paraná?
Beto Richa já declarou que fazer campanha para Serra é questão de patriotismo. As políticas adotadas no governo paulista no que tange à Educação não são nada diferentes das que Jaime Lerner implementou no Paraná e que diga-se de passagem não deixaram saudades. Nessa ótica, as poucas conquistas que tivemos nos últimos anos estão prestes a ser lançadas no ralo com a volta do PSDB no governo do Paraná. A escolha foi do povo

Nenhum comentário:
Postar um comentário