segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Em quem os profissionais da Educação vão votar no Paraná?

Eleições e Educação
Diário dos Campos 01/10/2010

Interessante ver noticiado que o governável Beto Richa se irritou com professores por fazerem campanha para seu adversário Osmar Dias. A reação de Beto extrapolou os limites do amadorismo político quando afirmou que as “laranjas podres” não vão contaminar os outros professores. Mas será que sabe o tucano o quanto se fala das eleições governamentais nas salas de professores das escolas?

O candidato do PSDB carrega o estigma do último governador de seu partido. Jaime Lerner: economizou no salário dos professores deixando-os 8 anos sem reajuste salarial; também economizou em estrutura, fechando 340 escolas de magistério e 1080 cursos de educação profissional; reformas em escolas nem pensar; reduziu drasticamente o número de funcionários; não realizou concursos públicos, professores e funcionários eram contratados de forma terceirizada; não existia a hora-atividade. Claro que assim conseguiu investir sempre menos de 25% na Educação Básica.

Diante do quadro herdado em 2002, Roberto Requião que apóia Osmar Dias: reajustou os salários de professores e funcionários; realizou concurso público para mais de 40.000 profissionais da Educação; elevou os gastos com a Educação para 30% do orçamento estadual em Educação e criação de 20% de hora-atividade; trouxe de volta os cursos de magistério e profissionalizantes; aumentou o número de salas de aula nas escolas e instalou nessas aparelhos de TV com entradas multimídia; parte da merenda escolar passou a ser comprada de produtores adeptos da agricultura familiar; e voltaram a ser realizados jogos colegiais.

Os exemplos elencados, do governo Requião/Pessuti, são apenas uma pequena mostra. Ainda assim, o próximo governador ainda precisará realizar muito para atender as principais necessidades do meio educacional. E não nos enganemos se trata de fato de uma necessidade. Em nosso país faltam profissionais qualificados para os principais postos de trabalho e no Paraná não é diferente. Uma situação desse tipo certamente não será resolvida com uma política semelhante à que se realizou no governo de Jaime Lerner no âmbito educacional e isso depõe contra o candidato peessedebista viabilizando a opção Osmar Dias.

Correm boatos de que o candidato Beto Richa já realizou reuniões com membros da Secretaria e da Superintendência de Educação do governo Lerner. Curiosamente, se tratam dos mesmos prestimosos doadores para a campanha de políticos do PSDB. Não é de se admirar que alguns professores façam campanha para Osmar. A categoria sentiu na própria carne a política educacional peessedebista e um novo governo tucano está fora de cogitação.

No seu horário eleitoral Beto Richa tenta passar a imagem de político dinâmico e arrojado, mas se eleito não governaria sem a base de sustentação de seu partido. Essa já é velha conhecida e não deixou saudades. Se os professores que perceberam essa situação são “laranjas podres”, talvez seja melhor apodrecer as demais frutas da cesta.

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