José Serra não se contentou em perder sozinho. Tomou atitudes que vão refrear o debate sobre temas importantes no país ao longo dos próximos anos. Perderam os veículos da grande imprensa nacional, ávidos por tirar o PT do oder. Perdeu também o PSDB, com quadros que também teriam chances razoáveis na disputa pelo Palácio do Planalto, atropelados pelo trator de Serra.
Logo depois do primeiro turno o senador Álvaro Dias declarou que os dois candidatos poderiam fazer então uma discussão mais propositiva a respeito de temas importantes para serem discutidos no país. Ledo engano, o debate se tornou o mais rasteiro possível. Mônica Serra afirmou ser Dilma Roussef a favor do aborto. Logo uma antiga aluna sua foi à imprensa afirmando que a então candidata à primeira dama confidenciou, a um grupo de alunas, que já tinha interrompido uma gravidez.
Os setores mais conservadores dos cristãos logo se orientaram em não votar a candidatos pró-aborto. Até o papa católico se pronunciou sobre o assunto afirmando que os bispos brasileiros estavam certos em defender os dogmas a Igreja. Enfim, o episódio rendeu uma mostra do caráter de José Serra que já havia inclusive assinado uma norma, quando Ministro da Saúde em 1998,de realização de aborto em hospitais públicos. O candidato topava qualquer coisa pra ganhar as eleições. Ás favas com a coerência
O episódio da bolinha de papel ganhou eco nos quatro cantos do país. O Jornal Nacional enterrou o que restava de sua credibilidade ao noticiar que José Serra havia sido atingido por um rolo de fita e sido submetido inclusive a exames de médicos, que lhe recomendaram dois dias de repouso. Na mesma noite, 20/10, uma reportagem do Jornal do SBT mostrou claramente a cena em que Serra havia sido atingido por uma bolinha de papel. O desfecho foi ainda mais degradante para o telejornal no da seguinte, pois ressuscitaram o perito Ricardo Molina para analisar a imagem que Serra teria sido atingido pelo rolo de fita. Um fiasco que envergonhou até jornalistas da Rede Globo.
O então candidato havia sido atingido por uma bolinha de papel e o telejornal mais visto do país fez disso um escândalo. Convém perguntar como foi a cobertura do episódio em que José Serra enviou policiais pra reprimir uma mobilização de professores da rede estadual de São Paulo. Nenhuma foto, nenhuma cena dos professores que foram alvejados e feridos por balas de borracha. Assim vemos a isenção da imprensa mais partidarizada do mundo empenhada na eleição de Serra. Sua derrota também foi a derrota dessa imprensa.
O discurso do derrotado Serra com tonalidade de vencedor deixa entrever que sua facção hiper conservadora ultra direitista fará tudo para inviabilizar o governo Dilma. Também sinaliza que Serra quer voltar novamente em 2014. Resta esperar.

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