Observatório da Imprensa 26/04/2011
Em artigo publicado no Observatório da Imprensa, analisamos uma edição do programa “Profissão Repórter”, 07/12/2010, cuja temática era violência nas escolas. Nesse texto, chegamos à conclusão que o programa deixou uma mensagem de culpabilização dos professores pelas mazelas da profissão. Em conversa com um colega, sobre o mesmo programa, constamos que na mesma data os telejornais da Rede Globo também trouxeram notícias sobre a educação por conta da divulgação dos resultados do Pisa.
No caso do “Bom Dia Brasil”, são apresentados os números do avanço insignificante tido pelo Brasil em relação a seu próprio desempenho em versões anteriores do Pisa. A reportagem é seguida por um comentário de Miriam Leitão. Da fala da jornalista destacamos o seguinte trecho:
O Brasil está muito atrasado na educação e, com esse ranking, a gente não vai ser a potência que se sonha em ser. Não tem jeito. Hoje este é o maior desafio econômico. Não é um desafio social. É preciso avançar na educação.(...) O que pesa mais nesse resultado? Talvez tudo. Falta interesse dos alunos e falta interesse dos professores. Mas o interesse do aluno tem de ser despertado pelo interesse do professor. O país deve colocar a educação como prioridade. Esta é uma tarefa de todos nós. É nosso grande desafio no século 21: ou a gente avança ou a gente perde o projeto de [raiz].
Vemos que o comentário acentua a responsabilidade do professor no despertar o interesse dos alunos, um posicionamento até razoável. Mas trata a questão sem nenhuma problematização das causas do desânimo dos docentes. Na sequencia, vemos formulações genéricas postas como verdades incontestáveis, mas que não explicam nem propõem nada. O que temos fazer para superar o mencionado “grande desafio”? Ou então, qual foi o trajeto que nos trouxe a esse ponto? Perguntas sem respostas.
No “Jornal Hoje”, vemos uma mera exposição dos dados:
O Brasil está entre as três nações que mais evoluíram na educação, nos últimos nove anos, mesmo assim Aparece em quinquagésimo terceiro lugar.
Países que mais evoluíram:
Luxemburgo: 38 pontos
Chile: 37
Brasil: 33
A média brasileira foi de 401 pontos. A média geral dos 65 países do Pisa chegou a 496.
Brasil: 53º lugar
Média: 401 pontos
Pisa: 65 países
Média geral: 496 pontos
China, Hong Kong e Finlândia tiraram as melhores notas.
1º China (Shangai): 577 pontos
2º Hong Kong: 546
3º Finlândia: 543
Na América Latina, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás do Chile, Uruguai, e México.
1º Chile: 439 pontos
2° Uruguai: 427
3º México: 420
4º Brasil: 401
Sem comentaristas e sem nenhuma palavra dos âncoras para explicar o lento avanço, ou até mesmo nosso fracasso. O que se vê são apenas os dados de forma comparada com os países com melhor pontuação e até alguns vizinhos de continente. Impera a noção segundo a qual os números falam por si só ou se bastam.
No “Jornal da Globo”, temos uma apresentação dos dados também com a noção de que o Brasil avançou, porém menos do que devia. A reportagem é mais opinativa e merece destaque a fala do Ministro Fernando Hadad, segundo o qual os grandes desafios do país são a formação dos professores e sua valorização. O economista Cláudio de Moura e Castro também menciona os baixos salários e o fato de as escolas se constituírem em um ambiente de trabalho pouco atraente.
Em seguida à reportagem vem o comentário de Arnaldo Jabor: Para o comentarista, a situação educacional do país remonta à formação colonial na qual o governo colonial português não fiz a mínima questão de incentivar a educação, pelo contrário proibiu a impressão de livros e dificultava ao máximo a circulação de conhecimento. O resultado dessa concepção vem desembocar nos dias de hoje, com a pontuação baixa do país numa avaliação internacional, um país que em nenhum momento a educação da população foi prioridade.
Seria de se estranhar se o Brasil fosse dono de um desempenho satisfatório no Pisa. Educação nunca foi nossa prioridade, nem no período colonial nem depois da independência. O curioso é que o único telejornal que abordou as reais causas do problema educacional brasileiro é veiculado num horário em que a maioria da população está dormindo.
Em artigo publicado no Observatório da Imprensa, analisamos uma edição do programa “Profissão Repórter”, 07/12/2010, cuja temática era violência nas escolas. Nesse texto, chegamos à conclusão que o programa deixou uma mensagem de culpabilização dos professores pelas mazelas da profissão. Em conversa com um colega, sobre o mesmo programa, constamos que na mesma data os telejornais da Rede Globo também trouxeram notícias sobre a educação por conta da divulgação dos resultados do Pisa.
No caso do “Bom Dia Brasil”, são apresentados os números do avanço insignificante tido pelo Brasil em relação a seu próprio desempenho em versões anteriores do Pisa. A reportagem é seguida por um comentário de Miriam Leitão. Da fala da jornalista destacamos o seguinte trecho:
O Brasil está muito atrasado na educação e, com esse ranking, a gente não vai ser a potência que se sonha em ser. Não tem jeito. Hoje este é o maior desafio econômico. Não é um desafio social. É preciso avançar na educação.(...) O que pesa mais nesse resultado? Talvez tudo. Falta interesse dos alunos e falta interesse dos professores. Mas o interesse do aluno tem de ser despertado pelo interesse do professor. O país deve colocar a educação como prioridade. Esta é uma tarefa de todos nós. É nosso grande desafio no século 21: ou a gente avança ou a gente perde o projeto de [raiz].
Vemos que o comentário acentua a responsabilidade do professor no despertar o interesse dos alunos, um posicionamento até razoável. Mas trata a questão sem nenhuma problematização das causas do desânimo dos docentes. Na sequencia, vemos formulações genéricas postas como verdades incontestáveis, mas que não explicam nem propõem nada. O que temos fazer para superar o mencionado “grande desafio”? Ou então, qual foi o trajeto que nos trouxe a esse ponto? Perguntas sem respostas.
No “Jornal Hoje”, vemos uma mera exposição dos dados:
O Brasil está entre as três nações que mais evoluíram na educação, nos últimos nove anos, mesmo assim Aparece em quinquagésimo terceiro lugar.
Países que mais evoluíram:
Luxemburgo: 38 pontos
Chile: 37
Brasil: 33
A média brasileira foi de 401 pontos. A média geral dos 65 países do Pisa chegou a 496.
Brasil: 53º lugar
Média: 401 pontos
Pisa: 65 países
Média geral: 496 pontos
China, Hong Kong e Finlândia tiraram as melhores notas.
1º China (Shangai): 577 pontos
2º Hong Kong: 546
3º Finlândia: 543
Na América Latina, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás do Chile, Uruguai, e México.
1º Chile: 439 pontos
2° Uruguai: 427
3º México: 420
4º Brasil: 401
Sem comentaristas e sem nenhuma palavra dos âncoras para explicar o lento avanço, ou até mesmo nosso fracasso. O que se vê são apenas os dados de forma comparada com os países com melhor pontuação e até alguns vizinhos de continente. Impera a noção segundo a qual os números falam por si só ou se bastam.
No “Jornal da Globo”, temos uma apresentação dos dados também com a noção de que o Brasil avançou, porém menos do que devia. A reportagem é mais opinativa e merece destaque a fala do Ministro Fernando Hadad, segundo o qual os grandes desafios do país são a formação dos professores e sua valorização. O economista Cláudio de Moura e Castro também menciona os baixos salários e o fato de as escolas se constituírem em um ambiente de trabalho pouco atraente.
Em seguida à reportagem vem o comentário de Arnaldo Jabor: Para o comentarista, a situação educacional do país remonta à formação colonial na qual o governo colonial português não fiz a mínima questão de incentivar a educação, pelo contrário proibiu a impressão de livros e dificultava ao máximo a circulação de conhecimento. O resultado dessa concepção vem desembocar nos dias de hoje, com a pontuação baixa do país numa avaliação internacional, um país que em nenhum momento a educação da população foi prioridade.
Seria de se estranhar se o Brasil fosse dono de um desempenho satisfatório no Pisa. Educação nunca foi nossa prioridade, nem no período colonial nem depois da independência. O curioso é que o único telejornal que abordou as reais causas do problema educacional brasileiro é veiculado num horário em que a maioria da população está dormindo.
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