Diário dos Campos 03/06/2010
No jornal O Estado de S.
Paulo de 24/05/2010 em “A
educação vem em sexto LUGAR”
temos uma entrevista com o empresário
e presidente do movimento
todos pela educação
Jorge Gerdau. Num país que
não priorizou a educação pública,
vemos como saudável a iniciativa
do empresário de encampar seu movimento
após sentir que seus operários com pouca educação
formal não produziam o suficiente. Vale registrar
noção de que falta investimento e a necessidade
de gestão adequada na educação: “Faltam
recursos para educação? Falta gerenciamento? Eu
diria que os recursos são insuficientes em relação
ao PIB. Mas o problema hoje é menos de recursos
e mais de gestão. O Brasil precisa de mais recursos
com melhoria de gestão.”
Que em nosso país a coisa pública é mal gerida
não chega a ser novidade. Entretanto, o problema
maior talvez seja de outra ordem. Exemplo disso tivemos
no jornal O Globo em “A educação passada
para trás”. Na matéria, técnicos do MEC afirmam
que 21 Estados deixaram de repassar 1,2 bilhõs de
reais ao ensino básico através do Fundeb (Fundo
de Desenvolvimento da Educação Básica) direcionando
o montante a outros setores. Algumas secretarias
de educação se manifestaram afirmando que
o MEC errou. As justificativas poderiam nos deixar
tranquilos, caso não soubéssemos que no Brasil a
desonestidade é pratica corrente.
Já em Veja, edição 2164 de12 de maio de 2010,
temos mais um ataque ao emprego das teorias construtivistas
na educação. Infelizmente um assunto
que merece ser discutido de forma aprofundada
recebe tratamento superficial no semanário da
Editora Abril. Muitos educadores já perceberam que
algo vai mal na educação infantil, dado o número
de egressos no sexto ano, ou quinta série, com defasagens
que não se esperam nesta fase. Evidente que
tal situação não é culpa apenas do construtivismo
que tem bastante força no Brasil e demonizar este
conjunto teórico em benefício de uma suposta “pedagogia
tradicional” não ajuda em nada.
Como vemos acima, uma colunista de O estado
de São Paulo se preocupa em entrevistar um
empresário preocupado com a educação no país.
Isso não deixa de ter valor simbólico, considerando
que o histórico da elite nacional não registra
nenhum tipo de preocupação com a educação das
camadas desfavorecidas, ainda que para explorar
sua mão de obra. Ainda que não sejamos tão entusiastas
da visão empresarial de Gerdau sobre a
educação. Ponto para o jornal.
Sobre a reportagem de O Globo, mesmo que
a contabilidade do MEC tenha falhado em algum
ponto, a respeito do repasse das federações ao
FUNDEB, de forma alguma soa implausível que
os Estados desviem verbas da educação para outros
setores. Não percebemos isso como um absurdo
justamente pelo fato de a educação nunca ter
recebido a devida importância em nosso país, tanto
pelos dirigentes políticos quanto pelas pessoas
simples. Ainda que nos sintamos indignados diante
de uma reportagem que noticie desvios de verbas
públicas que poderiam reformar e ampliar escolas,
a indignação passa depressa.
Nesse cenário parece importar menos ainda as
discussões sobre como ensinar, seja na educação infantil
ou nas outras fases da educação básica. Se contamos
com escolas mal aparelhadas e com acomodações
insuficientes para a população escolar, além de
professores mal remunerados e desmotivados, por
qual motivo alguém daria a devida importância então
para as teorias cognitivas que norteiam a ação
dos mesmos professores? É um problema menor?
Se na visão peessedebista de Veja o principal problema
para a educação é a má gestão dos recursos,
ideia também presente na entrevista com Gerdau
(este ao menos admite a falta de investimentos).
Podemos afirmar que o sistema educacional brasileiro
não consegue proporcionar formação adequada
à população. Mesmo a formação que leva a uma
maior produtividade nas grandes indústrias. Alguns
empresários começam perceber isso de forma tardia.
Como de certa feita afirmou o historiador Evaldo
Cabral de Melo, nossa elite sempre foi burra!
http://www.diariodoscampos.com.br/diariodoscampos/upload/arquivos/pagina_02_2_18861.pdf
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