Revista Médio Paraíba 14/12/2009
Em textos de Heródoto, Plínio e a cartografia Medieval, desde o período da Antiguidade, passando pela Idade Média e Moderna, as concepções sobre África que prevalecem são idéias como `território de monstros,´ continente associado ao `Bestiário´ e região de `clima inóspito´. Este termo, África, é uma invenção européia, ou seja, de fora, que nunca conferiu nenhum sentido de unidade ou identidade aos africanos, não significava nada para as populações desse continente.
No século XV os portugueses iniciam as expedições de circunavegação do continente africano e já capturaram alguns nativos que foram levados para a Europa e escravizados. Dos séculos XVI ao XIX, devido á colonização da América, os povos europeus, com aliados no continente africano, organizaram sistemas de tráfico humano responsáveis pela maior diáspora da história da humanidade. Por várias gerações as colônias americanas tiveram por finalidade servir de base material ás suas metrópoles européias, uma relação que por sua natureza não podia ser mais duradoura. Neste período o papel principal dos africanos, nestas regiões, era servir de mão de obra com trabalho que estava inserido em todas as instâncias do mundo colonial.
No final do século XIX, com as independências das nações americanas e abolição da escravatura no Ocidente, as potências européias se viram impelidas a aprofundar seu domínio no continente africano, o que até então não havia sido necessário, pois a principal relação era a captura e a negociação de populações africanas para o tráfico atlântico. O novo contexto exigia dos europeus estabelecerem relações comerciais mais diretas com os africanos, conseguir matéria prima barata para abastecer suas empresas e um mercado consumidor para absorver seus produtos industrializados, o que não foi possível amistosamente devido à resistência empreendida pelos filhos da terra a esta penetração. Este fator desencadeou então o domínio militar, já que apenas o comercial não bastaria, e a colonização do continente africano por nações européias submetendo as populações locais e espoliando as riquezas de suas terras.
O domínio militar e comercial também pressupunha conhecer melhor o continente, o que foi proporcionado por intelectuais vinculados a várias sociedades científicas financiadas por nações européias. Tal domínio foi chamado de neocolonialismo, numa menção à colonização do Século XVI, e sua existência se deu entre o fim do século XIX e primeira metade do XX, não resistindo ao novo contexto internacional posterior à Segunda Guerra e ás lutas de independência das populações locais. A herança que ficou para os africanos deste período são principalmente fronteiras geográficas artificiais construídas pelas nações européias concorrentes, construção de uma identidade africana que proporcionou a consciência de dominados, surgimento de movimentos que lutaram pelas independências das colônias e grande espoliação material contribuindo para a pobreza da África.
Num quadro amplo temos o continente africano com boa parte do território assolado por miséria, conflitos étnicos e doenças. O continente americano com parte significativa de suas populações compostas por negros e mestiços que lutam por alguma igualdade. Em outras palavras, vários povos vitimizados pela arrogância e vontade de poder das nações do mundo ocidental em relação a outros povos com valores e culturas diferentes.
Numa história da Bíblia Noé amaldiçoou seu filho Cam por ter rido enquanto aquele estava bêbado. No Brasil colonial os negros foram associados aos descendentes de Cam para ter sua escravidão justificada e tida como benigna. Ao que parece a maldição do patriarca do Antigo Testamento sobre seu filho, e os descendentes deste, funcionou.
Em textos de Heródoto, Plínio e a cartografia Medieval, desde o período da Antiguidade, passando pela Idade Média e Moderna, as concepções sobre África que prevalecem são idéias como `território de monstros,´ continente associado ao `Bestiário´ e região de `clima inóspito´. Este termo, África, é uma invenção européia, ou seja, de fora, que nunca conferiu nenhum sentido de unidade ou identidade aos africanos, não significava nada para as populações desse continente.
No século XV os portugueses iniciam as expedições de circunavegação do continente africano e já capturaram alguns nativos que foram levados para a Europa e escravizados. Dos séculos XVI ao XIX, devido á colonização da América, os povos europeus, com aliados no continente africano, organizaram sistemas de tráfico humano responsáveis pela maior diáspora da história da humanidade. Por várias gerações as colônias americanas tiveram por finalidade servir de base material ás suas metrópoles européias, uma relação que por sua natureza não podia ser mais duradoura. Neste período o papel principal dos africanos, nestas regiões, era servir de mão de obra com trabalho que estava inserido em todas as instâncias do mundo colonial.
No final do século XIX, com as independências das nações americanas e abolição da escravatura no Ocidente, as potências européias se viram impelidas a aprofundar seu domínio no continente africano, o que até então não havia sido necessário, pois a principal relação era a captura e a negociação de populações africanas para o tráfico atlântico. O novo contexto exigia dos europeus estabelecerem relações comerciais mais diretas com os africanos, conseguir matéria prima barata para abastecer suas empresas e um mercado consumidor para absorver seus produtos industrializados, o que não foi possível amistosamente devido à resistência empreendida pelos filhos da terra a esta penetração. Este fator desencadeou então o domínio militar, já que apenas o comercial não bastaria, e a colonização do continente africano por nações européias submetendo as populações locais e espoliando as riquezas de suas terras.
O domínio militar e comercial também pressupunha conhecer melhor o continente, o que foi proporcionado por intelectuais vinculados a várias sociedades científicas financiadas por nações européias. Tal domínio foi chamado de neocolonialismo, numa menção à colonização do Século XVI, e sua existência se deu entre o fim do século XIX e primeira metade do XX, não resistindo ao novo contexto internacional posterior à Segunda Guerra e ás lutas de independência das populações locais. A herança que ficou para os africanos deste período são principalmente fronteiras geográficas artificiais construídas pelas nações européias concorrentes, construção de uma identidade africana que proporcionou a consciência de dominados, surgimento de movimentos que lutaram pelas independências das colônias e grande espoliação material contribuindo para a pobreza da África.
Num quadro amplo temos o continente africano com boa parte do território assolado por miséria, conflitos étnicos e doenças. O continente americano com parte significativa de suas populações compostas por negros e mestiços que lutam por alguma igualdade. Em outras palavras, vários povos vitimizados pela arrogância e vontade de poder das nações do mundo ocidental em relação a outros povos com valores e culturas diferentes.
Numa história da Bíblia Noé amaldiçoou seu filho Cam por ter rido enquanto aquele estava bêbado. No Brasil colonial os negros foram associados aos descendentes de Cam para ter sua escravidão justificada e tida como benigna. Ao que parece a maldição do patriarca do Antigo Testamento sobre seu filho, e os descendentes deste, funcionou.
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