Pílulas de História, sionismo (parte I)
Jornal da Manhã 16/01/2009
Assistir aos noticiários, ou ler reportagens pela internet, tem se tornado um desafio ao estômago. Nas sessões de reportagens internacionais os holofotes estão voltados para o mais novo desdobramento da questão da Palestina, ou poderíamos, melhor dizer, sobre o massacre que os israelenses sionistas estão promovendo na faixa de Gaza. Muitos de nós, desde a infância, recebemos informações do drama humano sofrido naquela região pelos, cada vez mais rápidos, veículos de informação que têm por ofício nos informar o que de importante acontece no mundo. Temos então alguns problemas. O formato dos telejornais, na grande maioria dos casos, não tem espaço o suficiente para uma reflexão para além da notícia e muitos termos e conceitos importantes são jogados nos ouvidos e olhos dos leitores e espectadores sem ter seu significado elucidado e refletido. Palavras, ou termos, como sionismo, Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Autoridade Nacional da Palestina (ANP), Hamas e Fatah pululam, na boca e na pena dos repórteres, sem a menor cerimônia.
Comecemos hoje pelo sionismo. Essa palavra é derivada de Sion, o nome a que a maioria dos judeus se referia à Palestina da qual teriam sido expulsos há mais de dois mil anos. Em 1897 fora realizado o 1º Congresso Sionista na Suíça, numa época em que floresceram vários nacionalismos essa foi a primeira expressão do nacionalismo judeu. Esse movimento sionista era liderado pelo jornalista austro-húngaro Theodor Herzl (1860-1904) e tinha o objetivo de promover a migração dos judeus à Palestina, onde seria criado o estado de Israel. Na época milhões de judeus viviam no leste europeu, Polônia, Romênia, Rússia, Lituânia entre outros entre outras, sem direito à cidadania plena e sujeitos a perseguições.
Uma união de forças, entre capitalistas judeus da Europa Ocidental e dos EUA e jovens sionistas, influenciados pelo movimento socialista da Europa, permitiu a aquisição de faixas de terras palestinas, pertencentes a latifundiários árabes que viviam na Síria ou no Líbano, onde foram instalados Kibutzim (comunas agrícolas de propriedade coletiva da terra). Assim, no final do século XIX, 12 mil pioneiros sionistas emigraram para a Palestina. Nesse contexto, milhares de camponeses palestinos perderam seu meio de subsistência.
No contexto da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha, em busca de todo o apoio possível para o conflito, ofereceu aos líderes sionistas a criação de um lar nacional judaico depois de encerrados os conflitos, desde que, a influente comunidade judaica norte-americana influenciasse os EUA a apoiar, na guerra, os países da Entente, Grã-Bretanha, França e Rússia. O apoio norte-americano em 1917 foi decisivo para a vitória da Entente. Os ingleses também pensavam que a Declaração de Balfor convenceria os numerosos judeus da Rússia a se posicionarem contra a Revolução Bolchevique de 1917. Ocorreu que entre 1922 e 1931 a população judaica na Palestina saltou de 11% para 17,7% do total. Por essa época os judeus, no mundo árabe, já eram vistos como aliados ao colonialismo, pelo apoio recebido dos britânicos. Os dirigentes árabes da Palestina organizaram movimentos antibritânicos em 1921, 1929 e em 1936, sempre reivindicando autonomia para a Palestina e o fim da emigração judaica.
Para continuar com a colonização judaica na palestina os sionistas criaram a Hánaga, Organização de Autodefesa, que contava com a simpatia britânica. Entretanto um setor do sionismo, de extrema direita, incluía no rol de inimigos, além dos palestinos, os ingleses. Esses grupos, dos quais os principais eram o Irgum e o Lechi, chegaram a efetivar alianças com nazistas e fascistas, foram os responsáveis pela explosão de um quartel general britânico, no ano de 1946, em Jerusalém, onde mais de 100 pessoas morreram. Para esses grupos, árabes e ingleses tinham que ser expulsos da Palestina.
Em 1937 a Comissão Peel, formada por britânicos, recomendou que a Palestina fosse dividida em dois territórios. Se a maioria dos líderes sionistas tendia a aceitar a oferta, a liderança árabe não aprovou a partilha e pressionou os britânicos a emitirem documentos que limitavam a colonização judaica. Assim na década de 1920 foi proibida a emigração de judeus para a Transjordânia. Em 1939, foi restringida a venda de terras a judeus e limitada a 75 mil pessoas a quantidade desses mesmos a adentrar na Palestina nos anos seguintes. O território ganharia autonomia em 1949 com um governo de maioria árabe, mas em 1939 eclodiu a Segunda Guerra Mundial que causou modificações dramáticas no Oriente Médio.
http://www.jmnews.com.br/index.php?setor=NOTICIAS&nid=259034
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