domingo, 25 de julho de 2010

Sobre o ensino religioso em escolas públicas

Revista Médio Paraíba 22/09/2009

Aqui no Estado do Paraná, de onde vos escreve este entristecido professor de História, é ofertada, desde 2003 nas escolas públicas estaduais, a pseudo-disciplina de ensino religioso. Aliás, é sobre esta mesma que o site do Senado Federal está fazendo uma sondagem com a seguinte chamada: você é favorável ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas? Escolhi a alternativa não e sobre o ensino religioso, trabalho com as seguintes hipóteses: quando ministrada em escolas públicas, fere a natureza laica destas mesmas; na medida em que os profissionais do quadro do magistério não estão preparados para ensinar os conteúdos inseridos nesta disciplina, artificial, sem alguma forma de proselitismo; e que sua manutenção e estruturação é um desperdício de dinheiro num setor público dos mais desvalorizados, a Educação.

Desde a implantação da República, em 1889, quando deixou de vigorar o sistema do padroado em que religião e Estado estavam interligados, existe uma grande resistência por parte da população em aceitar esse rompimento. Prova disso é a presença de bíblias e crucifixos em instituições como hospitais e escolas e a prática perniciosa que predomina em boa parte das escolas, pelo menos das que tenho trabalhado, de fazer alguma oração cristã no início do dia letivo. Práticas que por si só constituem gestos de violência simbólica contra quem não pratica nenhuma religião de tradição cristã. Talvez a dificuldade que nosso povo tenha em separar religião de Estado esteja no fato de que a República laica tenha sido proclamada de forma abrupta, um gesto de cúpula, que feriu a religiosidade das pessoas simples. Simples como os seguidores de Antônio Conselheiro, líder messiânico que não aceitava que o novo governo não estivesse atrelado à religião católica.

Entretanto, a religião oficial de nosso país não é a única religião praticada aqui e a criação de uma disciplina escolar, com o nome despropositado de ensino religioso, que é ministrada e organizada por profissionais que não conseguem o fazer sem realizar proselitismo é gesto de violência maior que os exemplos citados acima. Exemplo disso é um e-mail repassado por uma coordenação de área desta mesma disciplina, do Núcleo Regional de Educação Área Metropolitana Sul de Curitiba, que conclama para que as pessoas que receberam a mensagem votem em sim na referida sondagem do Senado, trazendo frases como: Se ganharmos ali, será mais uma vitória importante da evangelização dos nossos jovens e crianças. ou Vamos participar mais uma vez, votando e divulgando para os nossos contatos que também acreditam na importancia da formação religiosa da nossa juventude? Os dois trechos transcritos acima ajudam a confirmar o despreparo dos quadros do magistério para lidar com uma disciplina desta natureza, considerando também que saíram da pena de alguém que coordena professores.

Se alguém que deve coordenar os profissionais da disciplina é capaz de mandar uma mensagem impregnada de terminologia cristã católica, o que é realizado nas salas de aula então? A resposta é simples: proselitismo. Significa então que o montante gasto com a disciplina de ensino religioso, o valor pago aos professores, referente às aulas, e cursos para a formação destes mesmos, pode estar sendo usado para a realização de proselitismo nas escolas. A mensagem citada acima é iniciada da seguinte forma: Agora que foi aprovado na Câmara o acordo assinado entre a Santa Sé e o Brasil onde também se retoma a importancia do Ensino Religioso nas escolas, o próximo passo é a votação no Senado. Ao ler a mensagem toda entrei no site do Senado e constatei com tristeza que a maioria das pessoas que participaram da sondagem é favorável ao ensino religioso optativo. Espero que você, leitor, vote em não. Ensino religioso em escolas públicas é violência simbólica, ou pior, violência simbólica de Estado.

http://www.medioparaiba.com.br/revista/materia.php?l=c9c8524bb5755f2ef4333162746458fa

2 comentários:

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  2. Lecionar ensino religioso em Escolas Publicas é uma demonstração que o maior preconceito existente é o Preconceito Religioso, O qual é o principal causador de Atentados Terroristas, Uma Pesquisa confirma que Ateus é o grupo que pessoas que merecem Repugna e Ódio de 17% dos Brasileiros, Eu, como Ateu, percebo que estes números são verídicos e vergonhosos,a ponto de não expressar minha total opinião sobre o assunto, somente quando questionado, em que devo defender o meu ponto de vista Ateu, o qual é altamente criticado, principalmente por pessoas extremamente religiosas, isso não significa que não irei respeitar as demais religiões, por exemplo:Quando algum idoso me direciona um "Deus te Abençoe" respondo com um "Amem" ou apenas um "Obrigado e Igualmente";Escolhi ser Ateu pelas Respostas Concretas, Um extremo da Religião, A qual não dá respostas, apenas impede perguntas, sem argumentos coerentes para isto.
    Existem:
    Cristãos Bons:Martin Luther King
    Cristãos Maus:Adolf Hitler
    Muçulmanos Bons: Malcon X
    Muçulmanos Maus: Osama Bin Laden
    Do Mesmo Jeito Que Há...
    Pessoas Éticas que Vivem Sem Religião: Bill Gates
    E Pessoas Más que Vivem Sem Religião: Joseph Stain

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