domingo, 25 de julho de 2010

Sociologia e Filosofia nas escolas

Jornal da Manhã 11/09/2009

Realmente é uma conquista a introdução de disciplinas como Sociologia e Filosofia nos currículos do Ensino Médio, mas muito se falta para essa conquista frutificar em resultados efetivos para benefício da população. Não devemos nos esquecer que os cursos de licenciatura nestas duas disciplinas ainda podem parecer aos jovens como pouco atraentes como profissão devido ao fato de que a carga horária destas disciplinas nas escolas ainda é muito pequena. Outra questão importante a ser observada é o fato de que o conteúdo destas disciplinas em absoluto não se constitui como novidade para os alunos.

No período que o Brasil foi governado por um regime militar, de 1964 a 1985, muitas disciplinas nas escolas foram sacrificadas além da Filosofia e da Sociologia. O exemplo mais conhecido é que a História e a Geografia foram condensadas na disciplina de Estudos Sociais nas escolas e também nas universidades. Depois da abertura do regime, em 1985, havia uma euforia da sociedade em geral, no que diz respeito á redemocratização que podia ajudar a preparar um terreno fértil para as disciplinas de cunho social e reflexivo, mas no período, entre 1994 e 2002, referente aos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo, tanto a Filosofia quanto a Sociologia não conseguiram aumentar seu espaço no currículo das escolas.

Assim, podemos considerar como uma perda de espaço para estas duas disciplinas, no Estado Paraná, a implementação do Ensino Religioso como disciplina desde 2003 no Ensino Fundamental. Disciplina a qual consideramos sua presença, em escolas públicas e laicas, como problemática e seus conteúdos poderiam bem ser tratados pela História, Filosofia e a Sociologia. Também, os montantes despendidos em cursos de especialização para formação de professores de ensino religioso poderiam ter sido utilizados na estruturação de cursos de Filosofia e Sociologia, disciplinas mais apropriadas para o ambiente escolar laico.

Mesmo os cursos de Filosofia e Sociologia não sendo tão escassos, estão longe de ser em número suficiente para a formação de profissionais. A baixa carga horária das disciplinas nas escolas também não incentiva a demanda de jovens por cursos de licenciatura e os poucos que existem não dão conta de formar profissionais para ministrar as poucas aulas existentes que, por sua vez, ficam sob a tutela de professores de outras áreas, uma situação que também revela o insucesso destas duas em se estabelecer no Ensino Fundamental.

Em 16 de junho de 2008 foi sancionada a lei nº. 11.684 que torna obrigatória o ensino de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio. Estas disciplinas, antes dessa data, podiam ou não ser incluídas no currículo das instituições, uma vez que não eram obrigatórias. É possível que a lei contribua para a mudança da situação descrita acima e se trata de uma conquista para a posição desprivilegiada destas disciplinas, que com mais espaço poderiam ampliar a formação humanística de nossos alunos. Formação que, mesmo sem a obrigatoriedade, já podia ser proporcionada.

Um depoimento utilizado numa matéria do Jornal da Manhã, deste último 06/09, segue na linha de que a volta da Filosofia vai causar um impacto positivo no Ensino Médio fazendo os alunos refletirem mais sobre os conteúdos que são repassados de forma positivista. Entretanto, a crítica ao positivismo não é monopólio da Filosofia e nem da Sociologia, pois está incorporada em todas as áreas relativas á Educação. E por último, estas duas disciplinas também não constituem novidade nas escolas, apesar de apenas no Ensino Médio, considerando que antes da Lei 11.684/08 muitas instituições, talvez a maioria, já adotavam em seus currículos a Sociologia e a Filosofia.

http://www.jmnews.com.br/index.php?setor=NOTICIAS&nid=420385

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